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San Fermines é a minha cara!

Parece Carnaval de Salvador em plena Pamplona española. As pessoas pelas ruas, bebendo, dançando, cantando alto, vestidas iguais e querendo "pasarlo bien". As diferenças são: o branco e vermelho como cores oficiais (branco na roupa e vermelho no lenço do pescoço e na faixa da cintura), compradas onde vc quiser e bem baratinho (não é como um abada que custa 100 euros ou mais); não há policiais, não há brigas, nem roubos, nem gente passando a mão, nem nada. A cidade inteira se mobiliza para os 7 dias de festa, em que a maioria vai de quinta a domingo. Todos, absolutamente todos se vestem de branco e vermelho. Nunca vi nada parecido. Festa 24 horas, que acaba a cada manha depois da corrida de touros, em que os bêbados que ainda estão vivos (e não tão bêbados, senão levam chifrada) se jogam na rua e correm dos bichinhos. E aí o povo vai dormir ou em casa, ou na rua, ou nos jardins e nas praças, ou seja, se não quiser pagar hostal nessa cidade nem precisa...

Fui à festa com a Ana, com quem moro, que é de Pamplona e me fala desse evento desde que comecei a morar aqui, e mais duas amigas dela. Foi chegar, trocar de roupa e ir às ruas. Aí você encontra australianos que dormem na calçada e que vão correr dos touros no dia seguinte, bascos que moram perto mas nunca haviam ido à festa, espanholas felizes que te chamam pra dançar, te abanam pra vc não morrer de calor e te dão cigarro (mesmo sem vc pedir e sem vc querer), mais espanholes puxando papo, aliás, nessa festa todos são mais que simpáticos e legais e conversadores, por 1 minuto eu cheguei a mudar minha impressão sobre a grosseria deles, porque ali todos são muito cordiais e queridos e tudo de bom.

Quesito cochiladinhas: no primeiro dia eu estava cansada de toda a semana ter levantado cedo pra ir trabalhar, então lá pelas 4 da manha eu já estava me arrastando, e, ao sentarme pra dar uma cochilada, eis que abro os olhos e estão 3 espanhois me olhando. Puxei papo, me ofereceram cerveja e tal, e logo fui-me a outro bar. E eram bonitinhos os caras. No segundo dia chegaram uns amigos da Ana (sexta), que também vieram direto do trabalho e, pra sorte minha, às 5 da manha já estavam se arrastando, e voltamos os 3 juntos pescando no busao pra casa (sorte que o menino estava acordado pra avisar a hora certa de descer). No terceiro dia (sábado) eu já estava cheia das amigas espanholas da Ana e fui passar o dia com meus amigos do Máster. Cheguei às 5 da tarde na cidade e, claro, quase 10 horas depois, às 3 da madrugada, tivemos que fazer uma paradinha pra uma dormida rápida num dos bancos da Plaza del Castillo. Isso porque à tarde já tínhamos tirado foto de um cidadão que estava em um misto de embriagues e sono, que tinham feito o diabo em volta dele, puseram cruz, um monte de garrafa de cerveja, papel de jornal em cima do coitado, e ele nada...pois bem, durante nossa cochilada (de umas 2 horas muito bem aproveitadas – estávamos eu, Rocio e sua amiga sentadas e o Alex deitado), eu acordei com uns flashes: tinha um monte de gente posando atrás do banco e tirando foto com os dorminhocos da noite (nós). A festa rolando solta ao nosso lado, ao som da musica do evento (“Álcool, álcool, álcool álcool álcool, hemos venido a enborracharnos, y el resultado nos da igual”), uma batucada, gente batucando lata de lixo, gritando,e a gente dormindo...viramos atração turística. Até pedi pro cara tirar uma foto igual na minha câmera pra registrar o momento. Mas foi bom, porque de ali em diante conseguimos ficar acordados pra esperar os touros no “encierro” das 8 horas.

Falando em encierro (quesito encierro), já sei as manhas da corrida: tem que chegar cedo, tipo 2 horas antes (tipo 6 da manha) pra pegar lugar. E tem que ir nos primeiros dias, tipo de quinta pra sexta, que ainda não tem muita gente. A gente deixou pra ir no ultimo (na verdade eu não agüentei ir antes) e se ferrou. Eu fiquei numa janelinha e só vi umas pontas de touros e de pessoas correndo. Tudo durou no máximo 2 minutos. E o trabalhão que deu pra montar tudo, e a galera que ficou se equilibrando nas madeiras por 2 horas?!? Mas é interessante a coisa. E o mais interessante: tudo acontece na manha seguinte à borracheira de toda a noite. Eu acho que todo mundo que vai correr ainda está bebadaço, mas....

Quesito beleza: comprovado. É sair de Madrid pra aparecer homens bonitos. Eu achei vários uns gatos, e esse numero se multiplicava no decorrer dos copos de cerveja ou de rum com refri de limão, o que é de se desconfiar, mas....ainda os achei melhores que a oferta em Madrid. Definitivamente eu fui morar no lugar errado! Hehehe

Quesito opinião geral: a festa mais bonita que vi na Espanha até hoje. Estava ganhando a Feria de Abril em Sevilla, mas aquela é eletista, o povo vai arrumado demais e quem não dança sevillana só fica olhando os que dançam. Esta não exclui ninguém, nem mesmo os poucos que não vão de branco. Todo mundo feliz, contente, conhecendo e saludando a todos, dançando, se divertindo, disfrutando. Se eu soubesse as musicas que tocam eu iria aproveitar muito mais, claro. Imagino uma festa dessas com musicas da Bahia, seria o ó! Só faltou isso. Mas dá pra encarar algumas musicas conhecidas, e, na falta de opção, é só retomar o hino, e pedir pra gente jogar água de cima das sacadas....”Outro, outro”...ou “Hemos venido a enborracharnos, y el resultado nos dá igual”. Provei, aprovei e recomendo! Ah sim, fotos no http://suzpaquete.spaces.msn.com. Tenham paciencia, o programa tá ruinzinho mas dá pra ver tudo sim!

 



Escrito por Suz às 18h08
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Lisboa é muito boa

 

 

 

  Fui a Lisboa no finde passado. Poxa, eu sei que é preciso vários dias pra dar uma rodada boa pela regiao, que é linda, mas estando aqui do lado eu nao podia esperar até o santo dia de pegar uma semana livre, entao....resolvemos ir por um fim de semana mesmo. Só pra dar o gostinho. A passagem saiu mais barata que se a gente fosse de busao (71 euros com taxa), sem contar que lá é uma hora a menos, ou seja, era como se a gente voltasse no tempo.

Já na chegada, ainda na rua, vieram uns portugueses perguntar se a gente precisava de alguma informacao (cheios de mapas e olhando as placas de rua, nao...nao eramos turistas! hehe), e nos mostraram a rua certa. Ficamos em um hostal no metro Arroios, simples mas traqnuilo, tinha banho privado e TV e ar condicionado por 18 euricos! Bueno, na primeira noite nao fizemos muita coisa, só subimos em um mirador pra ver a cidade de cima e arriscamos comer um bolinho de bacalhau. Primeira decepçao (e unica): em todos os lugares que pedimos a iguaria, ele vinha frio e xoxo. No Brasil ele tá sempre quentinho e uma delicia! Eu achei que em cada boteco lá ia ter o bolinho quentinho. Nao tinha. Alias, tudo o mais tb era frio. Mas tudo bem. De noite demos uma descansada e eu saí com a Lidia, fomo ao Dock´s Club, nas docas, e, por sorte de principiante, era Ladies Night e a gente nao pagou pra entrar e ainda ganhou 4 bebidas na faixa! E a primeira constataçao boa do lugar: que homens lindos sao esses portugueses! Nossa, eu olhava pra todos os lados e só tinha homem lindo. Nao sei se fui eu quem desacostumei, ou diminuí meu padrao de beleza depois de morar aqui em Madrid (onde a maioria é feia pra caramba), eu só sei que tinha um mais lindo que o outro. Mas, como bons europeus que sao, cada um na sua. Mas muito mais simpaticos que os esoanhois tb (segunda constataçao boa). Os caras tiravam foto pra gente e falavam que aquilo era capa de revista! Os espanhois nao fazem comentario nenhum! Bueno, o resumo da nossa primeira balada (que era a numero 2 segundo o Lonely Planet) foi o melhor possivel, nota 10. Fomos pra casa umas 5 da manha (fazendo confusao com o fuso e pensando que já eram 6), pois tinhamos que acordar antes do cafe acabar no hotel, às 10.

Dia seguinte intenso de passeios. O bom é que, como estavamos em 4 (eu, Lidia, Addy e Iñigo), pudemos pegar taxis juntos e rachar, e era baratinho, quase o preó du busao para cada um. Fomos ao monumento dos Descobrimentos (vista linda do rio, da torre de Belém e do Monastério dos Jeronimos), e depois a cada um desses lugares. Comemos (demasiado) - mas nao era bacalhau, nao tem bacalhau em cada esquina Suzana, tira isso da cabeça! E de tarde demos um pulo em Cascais, outra cidadezinha a meia hora dali. A prefeitura aluga bicicletas gratis, e a gente foi dar uma volta pela cidade. Depois paramos pra tomar uma cervejinha vendo o mar, andamos pelas ruelas cheias de restaurantes simpaticos e pegamos o trem de volta. À noite fomos ao bairro de restaurantes e bares (esqueci o nome), e ficamos por ali até fecharem os bares (tipo 2 da manha). Depois o senso comum era ir à disco Lux, uma das melhores dali (e numero um do Lonely Planet). E fomos. O legal era que, dos 12 euros de entrada, eles nos davam fichinhas de valores pequenos que a gente podia gastar comprando o que quisesse, ou seja, se a cerva era 3 euros, dava 4 cervas! E nao apenas uma copa, como costuma ser nos lugares caros de Madrid. Dois andares super espaçosos, nao permitia tirar fotos lá dentro. Tinha um monte de camas espalhadas pelo ambiente de cima, musica mais loungem enquanto embaixo era mais pesada a coisa. E a gente chegou cedo! O povo começou a enhcer ali mesmo depois das 3 da manha!!! Que pira. Eu, claro, tive que testar o tal colchao. Dei uma cochilada (se to cansada, musica alta nao quer dizer nada nao!), tirei as sandálias e foi uma delicia! Depois tomei um energético pra acordar, mas já era tarde e nos fomos, depois das 5 de novo. No ultimo dia, podres, fomos ao Castelo de Sao Jorge, que tem uma vista linda da cidade (que é cheia das vistas lindas). Fomos de bonde, um luxo! Na volta paramos num boteco pra comer os ultimos Pasteis de Belém (estes sim, estao em cada esquina e sao bem gostosos), e fomos ao aeroporto. Mas, pra dois dias, até que essa viagem rendeu! E eu, como sempre acontece, fiquei com vontade de ir morar em Portugal.....pra viver cercada de portugueses bonitos por todos os lados! hehehe



Escrito por Suz às 18h47
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Enfim, fim!

Acabaram minhas aulas do Master. Até que enfim. Ser estudante cansa!!! Eu ainda tenho a tese pra fazer, que nem está começada. Mas é pra outubro. To em cansaço pós-curso, mas acho que essa semana me animo pra escrever umas linhas....como é que pode? Aqui eu adoro escrever, mas na hora da tese....hehehe bueno, fotinhos, pra nao pensarem que estou mentindo!!! It`s over! Se acabó! Ufa!



Escrito por Suz às 20h08
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100 Km em 24 horas

 

Bueno, deixa eu contar o maior acontecimento dos ultimos tempos. Foi faz tempo já, quase um mês, mas como eu nao contei, conto agora. Essa galera que vocês vao ver nas fotos do relato/desabafo sobre a Copa entrou há umas 3 semanas na minha vida, e foram um presente! Eu já estava triste porque meus outros amigos brasileiros voltarao esse mês ao Brasil, e nao é que conheço um "pacote completo" (que também deve estar lendo isso aqui e se reconhecendo!) que me está fazendo lembrar do Brasil a cada dia? Acabei de voltar de um almoço na casa do Ewerton e do Guto (na simpática e pacata area de Orcasitas - parece nome de tartaruga), onde o Guto cozinhou (hiper bem) feijao em panela de pressao!!! Teve arroz, feijao, bife e batata frita. E, de sobremesa, bolo de cenoura com calda de chocolate, feito pela Dani! Sem contar que sábado, o dia anterior, fomos juntos à piscina da estaçao Lago (cheia de velhas enormes e de topless), depois fomos comer a moqueca nordestina feita pela dupla de irmaos Fernanda e Marcelo, que tava tao boa que até nos fez chegar tarde ao fatídico jogo do Brasil.

 

E, no dia anterior a esse, fomos a uma festa de uma revista, no Bernabeu, convidados pelo Edson. E no dia anterior fomos nos despedir da Lidia no Meliá.....bueno, historias é o que nao faltam em duas semanas de convicência com ess galerinha. Mas eu quero mesmo é falar de onde tudo começou.

Era uma vez a comunidade Brasileiros em Madrid no Orkut. Sim, essa em que nos apuntamos para jogar futebol, e otras cosas más. Pois bem, a Déia colocou lá uma oferta pra trabalhar durante 24 horas no fim de semana, entregando água aos competidores de uma prova que se chamava 100 Km em 24 horas, pra ganhar 120 euros. É claaaaro que me apuntei, e da minha sala ainda foram a búlgara (Nina) e a peruana (Rocio). Mas lá quem dominava mesmo eramos os brasileiros! E com tanto tempo juntos, a gente ia conversando, conhecia um, falava com o outro, descobria que uma vendia coxinhas e fazia unhas a 15 euros pé e mao, e a outra batia palma em programas de auditório, e a outra estava doando óvulos, ou seja, um mundo incrível de pessoas dos mais diferentes perfis e vindas de lugares diferentes do Brasil.  Cada um foi a seu posto de trabalho, eu fiquei em um lugar no meio do nada e depois fui a um ginásio apuntar os horários em que os competidores passavam por ali. Fizemos turnos e tiramos uns cochilos, e no outro dia, entre conversas e trabalhos (arrumando a ordem das mochilas, tirando comidas perecíveis das mesmas mochilas, arrancando faixas, carregando comida, etc), já mortos, com o cheque na mao e no caminho de casa, resolvemos ir ver o jogo do Brasil juntos. Pra fechar o finde com chave de ouro. Fomos ao Bernabeu, céu aberto, campo maravilhoso atrás, pessoas legais, e resolvemos que ali ia ser o nosso cantinho. E essa galera, o grupo de amigos. Bueno, a conclusao é a seguinte: de um fim de semana que eu já entrei preparada pra me cansar horrores, nao dormir e ganhar 120 euros, eu saí cheia de novas historias e com gente nova a tiracolo, que rende (e ainda vai render) mais mil novas historias e boas risadas. A gente sofre mas a gente se diverte!



Escrito por Suz às 19h45
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O Brasil Zidanou...

Muita água já rolou, aconteceu muita coisa, o Brasil já saiu da Copa, e eu to precisando vir aqui contar os fatos. Mas hoje vou falar de ontem. De quando o sonho acabou, de novo. A gente passsou a copa inteira indo ver os jogos no estádio onde treina o Real Madrid, o Santiago Bernabeu. Show de bola. O Sérgio, nosso camareiro anfitriao, deu a maior mao pra gente. Nos invitava a unas cañas, ficava ali fazendo bagunça com a gente, e nessa festa toda a gente ia deixando mensagens no orkut de que assistir ao jogo no Bernabeu era 10, e o lugar foi enchendo, enchendo, uma festa atrás da outra. Eu, desde o segundo jogo, tive a companhia querida e divertida e animada do pessoal que conheci na prova dos 100 Km em 24 horas (logo eu falo dela, em outro topico, porque merece): Dani, Daniel, Fernanda, Marcelo, Guto e Ewerton. A gente foi se conhecendo mais a cada jogo que a gente se reunia, e agora somos um grupo inseparável (e divertidissimo), na alegria, como foi em todos os jogos, e na tristeza, como foi ontem. O Bernabeu se transformava. O primeiro jogo a gente viu ao som de musica brasileira, que até abafava a voz chata do narrador choroso espanhol. No segundo, que foi na mesma noite do show da Shakira (que eu fui ver, mesmo saindo atrasada, e foi super lindo, muita energia, sem contar a cantora que é um pouco tímida mas tem um vozeirao e uma legiao de fas), teve show ao vivo depois. E assim ia, cada vez mais cheio o Bernabeu, e a gente pintando o rosto, torcendo junto, e festando depois. Ontem, depois que a seleçao perdeu, também teve show ao vivo. Mas o clima era de funeral. O povo dançando como se estivesse enterrando alguem. Horrivel.

Só que essa galerinha resolveu sair, e fomos rumo ao metrô Tribunal. Como de costume, começamos a cantar no metrô, porque quem canta manda a tristeza pra longe. As pessoas até vinham perguntar o resultado do jogo, porque do jeito que a gente cantava parecia que tinhamos ganhado. Dançamos, os espanhois até acompanharam nossa festa. Na escada rolante iam batucando, bem alto, e até puxavam musicas, uma festa! Como eles tambem haviam perdido dos franceses, se solidarizaram com a gente. Show de bola. Nao tem que se abater nao. No fim do jogo que eles perderam, era um clima horrivel dos espanhois pelos metros afora. Mas a gente nao. Na alegria ou na tristeza, tem que ser feliz. Deixa a seleçao pra lá. Quem perdeu foram eles, a gente continua igual. Pois fomos ao Kabokla, dançamos, dancei forró com o Gustavo, de SP, que baila muy bien, enfim, exorcisamos nossos fantasmas, e bola pra frente. Foi ruim lembrar de quando perdemos em 98, da França. Eu estava na Bolivia, em Copacabana, e fomos a um bar ver o jogo. Colocamos nossa bandeira na parede, arrumamos nosso cantinho, e perdemos de 3 x 0. Deeeeeeeeeeeeeeeeeeera só francês enchendo a gente. Eu nem imaginava que em 4 anos estaria vendo, novamente, a copa longe de casa. Mas aqui os franceses têm mais simpatia pelo Brasil que outra coisa. Umas francesas falaram pra uns amigos que eram francesas. Mas levantaram a parte de baixo da blusa e mostraram uma bandeirinha do Brasil. Ou seja, tava todo mundo torcendo pela gente. Isso me consola, a gente é muito querido aqui. Meu pai me ligou todo bravo. Que os jogadores só querem saber da grana deles no bolso, se introsar e jogar que é bom nada. Enfim, ta todo mundo decepcionado. Mas a Copa é só uma parte da vida. Que, pelo jeito, só a cada 8 anos venceremos, segundo as estatísticas. O que nos consola é que ainda somos penta. Que "todo mundo tenta, mas só o Brasil é penta". Pois é. A ver hasta cuando.....



Escrito por Suz às 19h09
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Futebol

  Eu sou a que mais falto. Mas quando vou, me divirto horrores! Depois que essa galera for embora, que os bebês já nascerem e que os fins de semana voltarem a ser normais, eu nao faltarei mais. Mas fiquem com a foto do último jogo e a matéria que fizeram para o jornal El Mundo (Brasileñas con fiebre de fútbol). Eu sou a da direita, olhando pro lado!



Escrito por Suz às 19h14
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Socorro! Como controlo minhas vontades?

Ainda bem que eu deixei pra escrever sobre isso só agora. Se tivesse desafabado no teclado semana passada, vocês iam ficar assustados! Hehe Calma, nem é tanto. Mas é que de repente um monte de coisa passa pela sua cabeça e você não sabe o que fazer.

Há 2 semanas me mandaram embora do trabalho que eu mais estava gostando. E a decisão não foi da chefe, foi da direção em não sei que país, porque a firma tava indo mal e não podiam manter uma simples becaria (estagiaria). Bueno....aí dá aquela balançada, ne? Eu estava certa que ficaria até abril aqui, e agora não sabia mais. E pronto, sua cabeça é invadida por milhares de coisas e pensamentos e sensações. Já me senti voltando em outubro, e não gostei nada disso. Tudo o que me dei conta é que não estava preparada ainda pra voltar em 5 meses. Eu sei que 5 meses é muito, mas não sei porque é que isso nos invade. Querem me tirar daqui mas eu não quero ir. E se eu for vai ser forçado e não vai ser nada bom, sabe como? Pois é...

Aí bem nessa semana eu entrei no orkut da Kamila, da minha turma da PUC, e vi nas fotos dela que ela voltou pra trabalhar na Disney. Nossa, aí ferrou...nao pude impedir a invasão de vontade louca de voltar pra trabalhar lá. Como também não pude impedir meu lado que ainda quer que eu siga um caminho (único) na vida me lembrasse que Disney já passou e eu tenho que pensar na minha carreira e deixar o rato e os trabalhos temporais de lado. Mas não consegui saber o que fazer com tudo isso e escrevi pra ela perguntando que diabos ela estava fazendo lá de novo (porque, claro, eu queria também!). E ela disse que deu “a” coceirinha (que todos os que trabalhamos lá temos de vez em quando) e ela voltou pra ser Guest Relations do MGM Studios, num programa de 1 ano. Que vontaaadeeeee!!! Ainda mais com a corda frouxa aqui, dá vontade de arranjar um ano de trabalho legal em um lugar legal e feliz e ensolarado (pelo menos no longo verão) como Orlando. Aí, como sempre, fui jogando a batata quente pros meus amigos ajudarem a me solucionar. Sávio, amigo que conheci na Disney, carioca: “esquece a Disney, pagam pouco, o aluguel é caro, é por tempo limitado, e ainda mais Eu não vou estar lá”. A Renata, paulista, minha companheira Glow no Magic Kingdom: “Menina, você quer abraçar o mundo, não é?”. É mesmo. É serio, tem tanta coisa legal por aí, e eu repito: meu pai não é rico nem nada, aliás já sou dona do meu nariz faz tempo, mas eu não quero dinheiro, eu quero experiêeeencias....as duas únicas que me entenderam e apoiaram foram a Alessandra Fontana, de SP, e a Mari, de Ctba (o Thi não me liga mais e entao ele fica fora das opiniões importantes!). A Alex disse uma coisa importante sobre mim: que não adianta eu querer ir contra minha natureza. Eu sou assim, inquieta, vira e mexe tenho que ter desafios novos, eu não sou o tipo de pessoa que me acomodo em um lugar e ali sigo por anos e anos. (pelo menos não no momento! Quando é que isso vai mudar?) E que ela também ta com emprego garantido até janeiro e depois disso vai fazer algo mais. E a Mari, que também já trabalhou na Disney, confessa que ficou com uma vontadezinha, e que se fosse eu, me apuntava. Bueno, ainda bem que pelo menos alguém pensa como eu, ou sabe como lá é legal morar, aprender e viver.

E bem no meio desse fogo cruzado, depois de ir fotografar um casamento lindo em Potes (mais além eu ponho um textinho sobre isso), eu fui revelar minhas fotos, que fiz em papel na Canon Rebel 2000, e dei de cara com a prima da Cânon, só que versão digital: igualzinha, tão linda como, poderosa, igual, igual, só que mais útil por ser digital. 700 e poucos euros a câmera completa (só o corpo seria 50 euros menos, não vale). E me deu A vontade de comprar! Mas claro, eu não tenho $$ agora, e não ia cometer uma loucura dessas djá. Fiquei pensando que uso essa grande muito pouco, já que tenho a pequena, que levo no bolso, pra cima e pra baixo e tal. Mas quando eu uso....heheh sai de baixo! Ou seja, mais uma vontade incontrolável que surgiu, que me deixou uns bons 4 dias pensando, mas que agora acalmou. Eu sei que ela existe, está lá na loja me esperando, mas eu não tenho espaço pra fazer coleção de câmeras grandes!

Fazendo um balanço dessa invasão de vontades: a Disney já passou um pouco. Eu ainda quero, mas passou a vontade de querer ir na mesma hora. A câmera eu já decidi que tenho que dialogar com o Thi sumido (ta namorando um espanhol e não dá mais bola pras amigas que não são espanholas, mas tão tentando!). Ah sim, e o trabalho, super boa noticia: consegui uma vaga de becaria em Consumer Research na ACNielsen, mesma empresa, dois andares abaixo. E as coisas andam bem mais movimentadas, mais interessantes, e as horas passam voando! E me têm como a “expert” em inglês da galera: já acompanhei teleconferência, já traduzi coisas pra todo mundo, uma beleza. Ou seja, a vida segue, mais tranqüila e com as vontades, pelo menos momentaneamente, controladas!! Ufa!!!



Escrito por Suz às 12h08
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Cercada de peitos por todos os lados

Já faz tempo que eu to para por as histórias em dia mas fico com preguiça. Mas essa não posso deixar passar (nem as próximas 5 que estão na lista).

Aconteceu em Cadiz, há muitas semanas atrás. Estava na praia com mais 3 amigas, e a situação era essa: um monte de meninas de topless ao nosso redor. Era virar a cabeça 10 graus e ver mais uma, e outra, e outra. Normalíssimo, naturalíssimo. Tão natural que elas estavam com seus namorados do lado, que tampouco se importavam se tinha gente olhando, tirando foto, desejando. Era tão tranqüila a coisa, eles conversando com elas, olhando pros peitos desnudos como se olhassem para os pés delas. E a gente ali discutindo se teria coragem ou não, e tal. Uns peitos bonitos, sarados! Hehe Muito interessante a coisa, porque a gente se viu rodeada por uma coisa que já foi falada demais, mas que nunca vivenciamos, assim, a poucos metros. A conclusão nossa foi que, se a praia fosse desconhecida, sem chance de encontrar amigos passeando por acaso, a gente faria. Com muito protetor solar, claro!

Mas o mais engraçado foi a conversa que tive com as meninas com quem moro, depois do episódio. Elas me olharam com uma cara e disseram: mas e no Brasil? Vocês devem estar mais acostumadas que a gente! Que coisa, né? Olha a imagem que o povo tem do Brasil. O Carnaval com as mulatas peladas, e pronto: já pensam que todas andamos assim nas ruas. Ou pelo menos nas praias. Eu já fui logo explicando: mira....algumas mulheres no Brasil usam fio dental, deixam a bunda quase toda aparecendo, mas não fazem topless na praia. Elas ficaram de queixo caído: mas como? Vocês não são todos liberais e tal? A conclusão (numero 2) a que eu já tinha chegado com outros amigos brasucas, e que repeti a elas, é que no Brasil os homens gostam da insinuação. Não é mostrar tudo, de cara, mas insinuar. E ademas, a marquinha branca do biquíni é muito sexy pra gente. É ou não é? Sem marquinha não tem graça! Poder espiar a parte branca, a que não foi exposta a todos, é privilégio de poucos, senão da única pessoa e seu companheiro(a). No brasil as meninas usam a parte de cima do biquíni amarrada atrás do pescoço pra deixar aquela marquinha que aparece quando se usa uma regata e tal...tá na moda!!! E aqui na Espanha, a moda é não ter marca. A Ana até comenta do peito da melhor amiga dela: “a Begoña tem um peito lindo”. Super comum. Não são lésbicas nem pretendem ser.

Antes de começar o verão ela me veio com um papo: vamos começar a usar as piscinas da comunidade de Madrid (nota: vetaram as piscinas, estão economizando água...), fazer topless....eu só olhei pra ela com uma cara: topless na cidade??? E ela, com a cara mais natural: claro! Pra ficarmos bronzeadas pro verão! Incrível. E só quem passa por isso entende. Uma coisa é ver 3 meninas de topless em uma praia em Caraíva (Bahia), onde elas eram as únicas do lugar a fazer isso e tinham um bando de brasileiros babões olhando e, de longe, tirando até fotos. Outra coisa é a naturalidade como tudo passa aqui. Sem ninguém de butuca, sem ninguém cuidando....vamos ver se um dia eu passo pela experiência. Só não esperem fotos que comprovem o feito!!!



Escrito por Suz às 19h53
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Viva a privacidade!

Outra coisa interessante é que nenhum prédio tem porteiro 24 horas nem câmeras nos elevadores! Em Sao Paulo, nao ter porteiro 24 horas era meio que absurdo, sabe?

Escrito por Suz às 17h28
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Na medida certa!

Uma das boas coisas de se morar na Europa é poder tomar banho com a temperatura da água que você quer, nao a que o chuveiro escolhe...:-)

Escrito por Suz às 08h42
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Esses sao meus amigoes aqui da Espanha. Um de cada canto da América do Sul, e me encanta como eles gostam e topam todas. A gente fez uma festinha no apê novo da Addy (mexicana, de azul do meu lado, minha grande amiga) e depois foi dançar música brasileira no bar Kabokla, do lado da casa dela. Foi uma festa! cada um ia no meio da roda e dançava do seu jeito, sabe? Uma delícia. É por isso que me sinto tao à vontade aqui. claro que muitas vezes eu reclamo que queria conhecer mais Europeus, já que to na Europa, e acabei caindo no meio desses latinos. Acho que se eu tivesse ido pra Londres sim eu estaria conhecendo um monte de europeu. Aqui tem, mas nao é tao comum quanto latinos virem de fora, pela facilidade do idioma. Mas...eu adoro meus amigos e eles me fazem sentir muito feliz aqui!!!



Escrito por Suz às 11h28
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Viva los chinos!

Gente, que invenção mais maravilhosa é essa aqui da Espanha. As lojas dos chineses. É tipo um 1,99 só que com coisas realmente úteis. Não tem bola de vôlei de plástico nem infinitos Tuperwares não...os chineses aqui, aliás, quebram um galhao nosso. Tudo o que a gente precisa, na hora que a gente precisa, ta lá. Vejamos: na madrugada você quer o que? Cerveja. Na rua. Na mão. Lá estão eles, com latinhas de várias marcas e com um preço bem mais barato que qualquer balada. Tudo bem que não é lá aquelas coisas de gelada, mas europeu é assim mesmo, toma cerveja na temperatura que for. Ok. Depois da balada. Fome. Você não quer gastar muito. Quer comer naquela hora senão desmaia de fome. Quem tem o baguete com o jamon serrano, queijo, seja lá o que for? Os chinos. Em cada esquina. Sentadinhos, uma caixa de papelão na frente, passando frio, com cara de tédio, mas esperando você precisar deles para te atenderem. Eu também não sou fa desses sandubas, já comi um uma vez pra nunca mais. Mas tem gente que compra, senão eles seguramente não estariam ali ainda.

Mas o mais legal são as tiendas de chinos. Precisa de linha e agulha, fita, elástico, coisa que se acha em armarinhos no Brasil? No chino tem. Taças pra tomar um vinhozinho com os gatinhos à noite? No chino tem. Luminária de cabeceira? Tem. Coca-Cola? Também tem. Aquela festa de ultima hora, um presentinho bonitinho como uma vela ou porta-retratos? Tem de monte no chinos. Cortina de box: tem. Leque pra agüentar o calor dos metrôs sem ar condicionado: tem e custa só 60 centavos. Sapato, pantufa, mule? De todas as cores, e com missangas (esses espanhóis adoram um brilho de dia....)! Piranha pra prender cabelo? Grandes, medias e pequenas. Calcinha? Tem. Lápis, borracha, caderno, liquipaper, grampeador, fita durex? Tem de monte. Roupa, bolsa? Baratinho. Espremedor de alho, extensão elétrica, lâmpada de 100 watts? Tem tudo.

Por que eu gosto tanto deles? Apesar de alguns falarem mal e porcamente uma mistura de espanhol e chinês, e muitos não entenderem você (nem ninguém), eles são o SOS da sua vida. Eles fecham pra sesta das 14 às 17 horas, tudo bem, mas tudo, tudo o que você precisa ta ali, e baratinho. Eu atravesso uma rua e chego neles. Mesmo quando eu não preciso eu entro pra ver se por acaso eu tava precisando de algo sem saber, sabe como? Como ontem, o dia que me inspirou a escrever esse post. Eu entrei lá procurando um tudo de silicone pra vedar uma infiltração no meu box. Tinha achado um grande, que precisava de uma válvula pra usar, era um esquema mais profissa. O chino dono já veio e me mostrou outro tubo, menor e caseiro, mais fácil de aplicar e tal. 2 euros. Show! Aí fui pagar e já vi um montão de brinquinhos lindos, com florzinhas brilhantes, e já comprei um brinquinho. E ao sair vejo umas bolsas que já tinha visto no Rastro domingo passado (o Rastro é a feira hippie daqui), e os donos já vêm e me dizem: além dessa alça de fora, pequena, dentro há outra maior que você pode levar de lado. E eu fiquei lá tentando escolher entre as 10 mil cores que havia, e resolvi deixar pra próxima visita. Imagina, fui procurando um silicone (sem precisar ir a uma loja de materiais de construção, como seria no Brasil), e saí com silicone, um par de brincos e quase uma bolsa (de 5 eurinhos). Eles são um fenômeno!

O que incomoda – tinha que ter um ladinho ruim nesses chinos, não é verdade? - é a nova mania (de onde eles tiraram isso???) de uma pedrinhas que são como imas, que eles jogam pra cima e fazem um barulhinho quando uma se junta com a outra. Também tem em toda esquina, e eu não agüento maaaais. Dá vontade de fazê-los engolir as pedrinhas. Mas calma...nem todo chino é perfeito, né? Só que eu diria que o “meu” chino, o da minha esquina, é o melhor. Palmas pra ele!



Escrito por Suz às 11h12
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Viva o gato inalambrico!

Viva meus novos vizinhos que puseram mais conexoes sem fio!

Se vocês estão me lendo, queridos e amados vizinhos, quero dar-lhes as melhores boas vindas à nossa vizinhança. Fabíola, dona da rede que pega na sala, e Belkin, dono da rede poderosa que pega no meu quarto, quero dizer que vocês estão convidadíssimos a virem comer brigadeiro aqui em casa um dia. A conexão de vocês é ótima, eu não passo mais apuros, nem fico com raiva, todos esses sentimentos são passado na minha vida desde que vocês apareceram! Agora mesmo que eu não queira minha internet se conecta sozinha, como num passe de mágica, em qualquer lugarzinho do meu quarto e até na sala, não é show? Eu posso estar cozinhando na cozinha falando com as pessoas pelo msn! Eu posso ver pelo UOL como é que vão as coisas no Brasil. Olha, não sei direito quem vocês são, quantos anos têm, de onde são nem nada. Mas já sei que posso chamá-los de meus melhores amigos. Tanta gentileza, tanta cortesia com essa rede sem fio, nossa, não tenho nem palavras pra agradecer tudo o que vocês têm feito por mim sem ao menos me conhecer. Então, olha, eu insisto. Passem aqui um dia. Vocês serão bem recebidos. O favor que vocês fazem 24 horas por dia pra mim não tem o que pague....gracias vecinos!



Escrito por Suz às 10h44
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Siga aquela sevillana!

      

Seis e meia da manha do ultimo dia de abril. Tínhamos acabado de chegar à rodoviária de Sevilla, onde iríamos passar 24 horas visitando (porque a gente não tinha hotel então não íamos dormir) a cidade e a tradicional Feria de Abril. Enquanto tomávamos nosso café no chão, na frente dos maleteiros, começaram a surgir, uma por uma, mulheres vestidas com aqueles vestidos típicos de bolinhas, flor no cabelo, sapato alto, sabe, como se estivessem saindo das fotos que vimos toda nossa vida e se materializando ali na nossa frente. Um vestido mais bonito que o outro. E a gente se perguntando: onde é que estamos?

E assim foi o dia todo. Naquelas horas elas estavam voltando da festa da noite anterior (que, como manda o figurino, durou até de manha, claro). E nos nossos primeiros metros pelas ruas desertas de Sevilla às 8 da manha desse sábado, encontramos outros 3 chicos, dois deles muito bem vestidos de terno (e com os pés enlameados, cor lima limão, como eles mesmo definiram), e eles, com sua caixa de som, nos cantaram a primeira musica sevillana do dia (e da minha vida): “vem pa la feria cariño mio...” Uma boa bienvenida a Sevilla, não?

O dia inteiro passamos conhecendo a cidade: catedral, Giralda, Alcázar (maravilhosos jardins floridos), roda gigante, Plaza España (linda)...e estava lotada, pois era feriado e a feira. Mas nada que atrapalhasse. Fazíamos nossos lanchinhos nos bancos da praça, tomávamos um rebujo aqui, outra manzanilla ali (bebidas típicas), e assim íamos. Compramos uma flor pra por no cabelo e entrar mais ou menos no clima, já que a mulherada estava toda linda e enfeitada com seus vestidos.

Depois de andar bastante e já estarmos cansadonas, fomos à feira, às 9 da noite (que ainda era dia). No caminho já vi que a coisa era linda demais: os cavalos todos enfeitados, levando e trazendo pessoas à festa nas charretes/ carruagens, e os motoristas dessas carruagens mais lindos ainda, vestidos com uma roupa diferente, um chapéu redondo...aliás, não vi UM homem feio ali. Acho que achei onde os homens bonitos da espanha se escondem: na Andaluzia. Não é possível! Em Madrid não tem um ser que se salve, e em Sevilla eu diria, como diz minha amiga Roberta aqui do meu curso, que perderia muito mais que meia hora com cada um deles hhehehehe...Quem não tinha carruagem ia a cavalo voltando, no meio dos carros mesmo (mas eu acho que tinha mais carruagem que carro nas ruas, porque era chique e divertido), e na garupa do cavalo vinha a moça, devidamente bem-vestida com seu vestido de bolinhas, sentada de lado (como é que elas não caem? Costume?). Os lixeiros ali são mais bonitos que os de Madrid também. Ou seja, era uma festa de pessoas bonitas e bem vestidas. Chegamos lá e fomos ao centro de Informação ver como é que a gente achava as casetas publicas. Explico: tinha um monte de tendas, chamadas casetas (não lembro se é com c ou s, e nem comece a fazer piadinha com o nome..), e todos ali tinham casetas pra ficar. Quem não tinha, como nóis as turistas, tinha que ir às públicas. Essas casetas são pagas, as pessoas pagam o ano todo e parece que não é nada barato. E lá dentro tem serviço de bar, tem mesas e tem áreas abertas pras pessoas se esbaldarem de dançar. Mas as públicas são iguaizinhas e grátis. Enquanto a gente ia andando em busca das tais casetas, a festa ia passando pela nossa frente. Mamães arrumadas empurrando carrinhos onde bebês também estavam arrumados com seus vestidinhos mini. Homens super elegantes acompanhando essa mulherada elegante. E em cada caseta todos dançando alegremente as sevillanas....ah, as sevillanas! Que coisa mais linda de se ver! Mulher dançando com mulher era o mais normal, e acho que é assim mesmo. Mãos se mexendo, pernas, pára e puxa a saia pra fazer outro movimento, e todas as pessoas dançando iguaizinhas, ou seja, a dança é uma só. Por isso todo mundo sabe e pode dançar com todo mundo! De repente a mulher que estava dançando bem à nossa frente pega suas castanholas, e aí eu fui ao delírio. Os mesmos passos, só que com castañuelas! Eu me arrepiava, meu sonho de ver essas danças estava ali se materializando na minha frente sem que eu precisasse pagar um lugar fechado pra ver isso. Era na rua, era ao natural, as pessoas dançavam porque queriam, as outras admiravam e elas continuavam dançando, mães com filhas, amigas, marido com a vó, com ou sem vestido, mas com muito glamour. Típiquíssimo eu diria. Ficamos plantadas em estado quase de êxtase vendo as danças durante vários minutos. E nesse momento eu decidi que assim que acabem minhas aulas eu entro numa classe de sevillana, eu preciso aprender essa maravilha andaluza!

Achamos uma caseta, comemos um solomillo ao whisque, tomamos rebujo, manzanilla, e outras coisas típicas. Caminhamos mais, vimos mais casetas, achamos bancos em uma pra descansar, fomos ao parque de diversões, encontramos Luis e sua namoradinha espanhola, fui em um brinquedo ao som de “Segura o Tchan”, enfim, estávamos fazendo o tempo passar porque não tínhamos hotel e teríamos que agüentar até chegar a hora de pegar o primeiro busao da manha pra ir a Jerez (lá, sim, tínhamos hotel). Comemos um churros com chocolate (tinha até uma sevillana com essa letra), e voltamos andando, meio mortas-vivas (depois de 24 horas ali), até a estação de busao. Que já estava com seus gatos pingados dormindo pelo chão, esperando seus respectivos ônibus. Juntamo-nos a eles e eu capotei....acordei, entrei no busao, capotei de novo....

Mas uma coisa eu digo: espero que ano que vem eu possa voltar à essa feira de Abril, com meu vestidinho de bolinha (amarelinha?), minha flor no cabelo, meu abanico (leque) e dançando horrores de sevillana. Pra ver os sevillanos guapos outra vez...

(afe, desculpa....como escrevi hein???)



Escrito por Suz às 14h42
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To ficando atoladinha

 

Ontem encontrei minha amiga azafata (aeromoça, mas eu adoro escrever azafata) aqui no msn e ela convidou pra uma festinha brasileira na sua casa. Eu a conheci na Chapada Diamantina em janeiro do ano passado, e ela é espanhola, da Galícia. E ela tem muita sorte: pelo menos duas vezes ao mês voa para Salvador. Então, além de ser uma apaixonada pela cultura brasileira, ela vive aquela cultura aqui. Ontem, por exemplo, ela fez pão de queijo. Na casa dela tinha fitinhas do Senhor do Bonfim por todos os cantos. Ela mostrou fotos das visitas dela pelo Brasil e é de dar inveja. Primeiro porque ela fez o trekking do Vale do Pati com o guia que eu indiquei, quando fiz o trekking da Fumaça por baixo (não fiz o do Pati pq não tinha gente suficiente pra encarar a aventura de 5 dias). Depois, altas fotos de Ouro Preto, de Curitiba, Ilha do Mel, e Carnavais de Salvador. Ela estava ouvindo um axé do grupo Afrodisíaco, que, como não fui esse ano pra lá, não conheci (ih, já to defasada!). Saia curta, sorrisao no rosto, no caminho todo até o bar ela foi puxando papo com o motorista e até convidando-o pra ir na balada com a gente. Fala português direitinho, mantém contato com todos os contatos de viagem...Eu diria que ela é uma quase brasileira.

Agora, o que é esse Valmont, que fomos. Entrei e tava tocando Chiclete com Banana. Gente, gente, gente. De todas as cores, tipos e tamanhos, uma mistureba. Bem a cara do Brasil. E era tudo de lá mesmo. Mas adaptadíssimas as moças: cada uma com seu leque (ou abanico, em castellano), bem à moda espanhola (ta na hora de eu comprar o meu!). Pagode, Ivete, Psirico, tocou tudo e mais um pouco. Tava tocando uma banda ao vivo, boa, dos nossos.

Mas o que é esse tal de funk?? “To ficando atoladinha, to ficando atoladinha....” geeeente....e eu pra explicar isso pro argentino que foi com a gente? “É som de preto, de favelado, mas quando toca ninguém fica parado”. E as moçoilas ali na frente, ao melhor estilo Bonde do Tigrao, dançando. Engraçado que não era coisa pra gringo ver não, porque só tinha brasileiro ali. O povo gosta mesmo. Tocou Araketu, tocou “Onda onda olha a onda...”, “Olha a brincadeira da tomada, chega pra cá,...”. Eu achei bem legal até, mas será que eram as minhas saudades batendo à porta? Claro que, de vez em quando, é bom ouvir música brasileira desse estilo. Pensando bem, fazia tempo que eu não ouvia, então encarei o axé e simbora.

A azafata não parava de dançar, super bem, com puta ritmo, e a amiga dela, também azafata, parecia até brasileira com sainha curta e ritmo no pé. Achei o máximo ver duas espanholas tão felizes, sorridentes, dançando música brasileira, sem reclamar que tava calor, que tava apertado, que estavam suando, que nada! Isso não é pra qualquer um messsssmo....elas dançando com o negão tecladista, tomando caipirinha, aí vinha o outro negão que eu já tinha visto em outro bar e compra uma caipira e oferece pra cada pessoa que ta ao seu redor e todos tomam um gole, sabe essa coisa bem despretensiosa do Brasil? Uma pega o cigarro, a outra mais que rápido já vem com o isqueiro pra acendê-lo. Aí sobe o cara do consulado (o cantor disse que era de lá) e pede pra cantar Legião Urbana ou sei lá que música era....sabe bem estilo fim de festa do Brasil? Pois é...

É por isso que é divertido viver aqui. A comunidade brazuca se une, fica mais simpático do que já é normalmente (por estar vivendo longe), toca, dança, se acaba....mas quando sai do bar, volta a pé às cinco da manha pra casa, sem perigo, sem fogos colocados em ônibus, sem depredação....tao diferente....



Escrito por Suz às 13h23
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